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Conheça a trajetória do governador Wanderlei Barbosa, reeleito em 2022 e agora alvo da Operação Fames-19
O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi afastado do cargo por 180 dias nesta quarta-feira (3) por decisão do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida atende a pedido do Ministério Público e integra a segunda fase da Operação Fames-19, que apura desvio de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19.
Com o afastamento, assume o comando do Estado o vice-governador Laurez Moreira (PSD), com quem Wanderlei mantém uma relação política marcada por divergências. Em 2024, o governador chegou a propor uma emenda constitucional para evitar que o vice assumisse o cargo em suas ausências, apelidada de PEC do Apego.
Histórico político
Natural de Porto Nacional, Wanderlei Barbosa iniciou a carreira em 1989 como vereador no município. Em 1996, migrou para Palmas, onde exerceu mandatos consecutivos na Câmara Municipal, chegando à presidência da Casa. Em 2010, foi eleito deputado estadual e, em 2018, vice-governador na chapa de Mauro Carlesse.
Assumiu o governo em 2021, após o afastamento de Carlesse em investigação sobre pagamento de propina, e foi eleito em 2022 para um mandato próprio. Na campanha, adotou o slogan “governador curraleiro”, reforçando suas origens populares.
Operação Fames-19
As investigações apontam que entre 2020 e 2021 foram pagos R$ 97 milhões em contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados, mas parte dos produtos não teria sido entregue. O prejuízo estimado supera R$ 73 milhões.
Segundo a Polícia Federal, os valores desviados teriam sido usados na compra de gado, construção de empreendimentos de luxo e pagamento de despesas pessoais. Em agosto de 2024, na primeira fase da operação, a PF encontrou R$ 67,7 mil em espécie na residência de Wanderlei, além de dólares e euros.
A operação foi batizada de Fames-19 em referência à fome (em latim, fames) e ao ano de descoberta da Covid-19.
Defesa do governador e da primeira-dama
Em nota, Wanderlei Barbosa classificou a decisão como “precipitada” e ressaltou que os pagamentos investigados ocorreram na gestão anterior, quando era vice-governador. Ele afirmou que já havia determinado auditoria nos contratos e disse que tomará medidas jurídicas para reassumir o cargo.
A primeira-dama, Karynne Sotero Campos, também afastada do cargo de secretária extraordinária de Participações Sociais, afirmou que vai se dedicar à defesa para comprovar “total ausência de participação nos fatos”.
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