Palmas
Artigo: Quando o túnel é mais que concreto (Alex Andrew Presidente da juventude do partido NOVO-TO)
Recebi com entusiasmo, e não é sempre que digo isso quando se trata de obras públicas, a notícia de que há uma discussão inicial sobre a implantação de um túnel sob a Praça dos Girassóis. A proposta, ao que parece, visa principalmente ampliar o sistema de transporte coletivo em Palmas. E, convenhamos, não é todo dia que se ouve falar de uma intervenção urbana que, de fato, dialoga com o que a cidade precisa.
A Praça dos Girassóis, com toda sua importância simbólica, também é, na prática, uma barreira física. Ela interrompe a continuidade de dois dos eixos mais importantes da cidade: a Avenida Teotônio Segurado e a Avenida Juscelino Kubitschek. O resultado disso é simples de entender, mesmo sem doutorado em mobilidade urbana, ou seja, mais tempo de deslocamento, mais consumo de combustível e mais emissão de CO₂. Em outras palavras, um nó no meio da cidade.
Projetos como este, ousados, com foco na infraestrutura e que têm potencial para melhorar a vida real das pessoas, são raros. E é por isso que eles precisam ser tratados com seriedade. Ao diminuir o tempo de deslocamento e priorizar o transporte coletivo, um túnel ali não seria apenas uma obra de concreto. Seria uma afirmação de prioridades: o espaço urbano deve servir à maioria, não apenas aos que têm carro.
Aqui cabe uma lembrança óbvia, mas frequentemente esquecida: o transporte público é o único meio que o poder público deve gerir diretamente com excelência, porque ele serve a todos, especialmente àqueles que mais dependem dele. Quando é rápido, seguro e eficaz, o transporte coletivo não apenas atrai usuários, mas também diminui a pressão sobre o tráfego, beneficia empresas cujos funcionários chegam no horário e ainda contribui para um ambiente urbano mais saudável.
Claro, o projeto ainda está no campo das ideias, e sabemos que no Brasil entre a ideia e a execução costuma existir um abismo, às vezes, um desfiladeiro inteiro. Mas se há algo que esta proposta acerta é na lógica, ou seja, encurtar distâncias, integrar e tornar o transporte coletivo atrativo é investir em desenvolvimento real, não em maquiagem urbana.
No fim, a pergunta que fica é: será que teremos coragem política de transformar essa boa ideia em realidade, ou vamos deixar que ela se junte ao cemitério de promessas que toda cidade acumula ao longo dos anos?
Alex Andrew
Presidente da juventude do partido NOVO-TO
Coordenador do projeto sextas na cidade
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