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87% dos moradores do Rio de Janeiro acreditam viver em uma guerra, aponta pesquisa Genial/Quaest
Uma nova pesquisa realizada pela Genial/Quaest aponta que a população do Rio de Janeiro acredita viver em uma guerra. Perguntados se “o Rio de Janeiro vive uma situação de guerra?”, 87% responderam “sim”, e 13% discordaram”. Não houve indecisos ou falta de resposta para essa questão. Para 51% dos entrevistados, a situação de guerra se repete em outras grandes cidades brasileiras.
A Genial/Quaest ouviu 1,5 mil moradores do estado do Rio de Janeiro de forma presencial e domiciliar nos dias 30 e 31 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais, e os resultados foram divulgados na noite de sábado (1º).
Assim como a pesquisa Datafolha, o levantamento Genial/Quaest mostrou que houve aprovação do massacre promovido pelo governador Cláudio Castro (PL) na última terça-feira (28). Esse índice foi de 64%, mas a insegurança permanece: 52% responderam que se sentem menos seguros.
“O carioca acredita que vive uma guerra, mas não tem certeza que sua PM pode defendê-lo apropriadamente”, comentou o presidente da Genial/Quaest, Felipe Nunes, em postagem no X. Quando perguntados se o governo do Rio de Janeiro tem capacidade de combater o crime organizado sozinho, 62% responderam que não, 36% disseram que há capacidade e 2% não sabem ou não responderam.
Ao comentar a pesquisa, a coordenadora-geral da organização não governamental (ONG) Rio de Paz, Fernanda Vallim, lembra que 57% do território da cidade do Rio de Janeiro já é controlado por grupos armados, principalmente milícias. “Vemos que a população dessas áreas já vive sob constante ameaça, na total ausência do Estado. Constantes tiroteios e operações mal planejadas que empilham corpos e produzem ainda mais sensação de guerra.”
Ela avalia que a forma de divulgação dos resultados pelos institutos de pesquisa “contribui para que a opinião pública seja induzida a pensar que há aprovação acerca das operações nessas áreas e que, já que a guerra está instalada, o jeito é escalar a violência”. “Para a maioria desinformada a respeito do que seja planejamento em segurança pública, com o histórico conservador e de baixa escolaridade, temos o caldo perfeito para que haja aprovação da escalada da violência como fator solucionador da questão”, acrescenta.
Forças de segurança
A pesquisa também questionou sobre o medo de uma retaliação pelo tráfico: 74% responderam que sim, 25% “não” e 1% não sabe ou não respondeu. A pesquisa perguntou ainda quem parece estar mais preparado para um conflito armado contra as facções: 48% responderam “as forças policiais do estado” e 44% “as facções”.
Apesar de a sensação de segurança não ter se alterado, a aprovação do governo na temática sobre segurança pública dobrou. Saiu de 22% para 39% entre agosto e outubro. A aprovação geral também subiu: saiu de 43% para 53% no mesmo período.
No sábado (1º), após o resultado das primeiras pesquisas mostrarem a aprovação da população à Operação Contenção, o governador Cláudio Castro (PL) postou nas redes sociais uma foto dele com uma das frases mais controversas pronunciadas durante as coletivas. “De vítimas, só tivemos nossos policiais (…) A operação foi um sucesso.” A postagem alcançou 395 mil curtidas, com milhares de comentários em apoio.
“A primeira questão é que nós temos encravada na sociedade brasileira toda uma cultura da violência, que é herdeira da escravidão, herdeira também de uma normalidade do uso da violência, mesmo no cotidiano, contra as mulheres, contra crianças, contra idosos, contra o cidadão convencional comum que anda pelas cidades e sofre violências”, avalia Niccoli.
A avaliação geral do governo federal não foi alterada e se manteve em 34%. Já na avaliação específica sobre segurança pública, 60% avaliam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negativamente. A pesquisa também registrou insatisfação dos moradores do Rio de Janeiro com a atuação do governo federal. Enquanto 53% afirmam que o governo federal não tem ajudado, 24% dizem que tem ajudado pouco, 14% que tem ajudado muito e 9% não sabem ou não responderam.
Operação Contenção
A operação realizada na última terça-feira (28) mobilizou 2,5 mil agentes de segurança para cumprir mandados de busca e apreensão de integrantes do Comando Vermelho nos Complexos do Alemão e da Penha, zona norte da capital. O resultado foi a morte de 121 pessoas, de acordo com dados oficiais, o que a torna a maior chacina ocorrida no país. Na sexta-feira (31), a Defensoria Pública do Rio de Janeiro Estado (DPRJ).
Nesta segunda-feira (3), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes vai ao Rio de Janeiro para uma reunião com o governador Cláudio Castro para pedir esclarecimentos sobre a operação. Moraes é o atual responsável pela Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, que estabelece uma série de medidas para conter a letalidade policial.
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