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Prisão, fiança e rastros do vazamento no STJ: os desdobramentos da operação da PF em Palmas e o que falta esclarecer
A Polícia Federal realizou na última terça-feira (18) uma operação que investiga o vazamento de informações sigilosas de investigações em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), teve como principal alvo o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos). Além dele, também foi preso o jornalista e ex-prefeito de Almas, Goianyr Barbosa de Carvalho, pai de Thiago. O procurador de Justiça do Ministério Público do Tocantins (MPTO), Ricardo Vicente da Silva, foi alvo de mandados de busca e apreensão.
A operação é um desdobramento da Operação Sisamnes e investiga a existência de um esquema clandestino de monitoramento e repasse de informações sobre investigações sigilosas no STJ para políticos e magistrados tocantinenses. O vazamento dessas informações teria prejudicado o andamento de operações policiais no país.
As prisões e as medidas judiciais
Thiago Marcos Barbosa foi preso preventivamente e continua detido após audiência no STF. Segundo as investigações, ele teria repassado informações sigilosas sobre inquéritos do STJ para seu tio, o governador Wanderlei Barbosa, e para magistrados do Tocantins. A decisão judicial revelou que ele chegou a acessar integralmente um inquérito sigiloso sobre a compra de cestas básicas pelo governo do estado, copiou o conteúdo para um pendrive e o entregou ao governador.
Já Goianyr Barbosa de Carvalho, preso por suspeita de lavagem de dinheiro, foi solto nesta quarta-feira (19) após pagar fiança de R$ 20 mil. Durante a operação, ele tentou se livrar de uma mochila contendo R$ 22,5 mil em espécie, jogando-a pela janela de casa no momento da abordagem dos policiais. Sua defesa alegou que ele pensou que se tratava de um assalto. Como condição para sua liberdade, Goianyr teve que entregar seu passaporte, está proibido de deixar o Brasil e de ter contato com outros investigados.
O procurador Ricardo Vicente da Silva, que tinha Thiago como assessor jurídico no MPTO, foi alvo de buscas e teve seu afastamento solicitado. O Ministério Público do Tocantins afirmou que todas as medidas determinadas pelo STF foram cumpridas e exonerou Thiago do cargo.
O que dizem as defesas dos envolvidos
A defesa de Wanderlei Barbosa negou que o governador tenha recebido informações privilegiadas. Em nota, disse que ele já tinha acesso ao inquérito da Operação Fames-19 (que investiga irregularidades na compra de cestas básicas) desde abril de 2024, ou seja, três meses antes das conversas encontradas pela PF no celular de Thiago. Também afirmou que Thiago e Goianyr não possuem cargos no governo do estado.
A defesa de Thiago Barbosa informou que ele só irá se manifestar nos autos do processo.
A defesa do procurador Ricardo Vicente da Silva afirmou que não teve acesso ao inquérito e, por isso, não se manifestará por enquanto.
O MPTO, além de exonerar Thiago, reafirmou seu compromisso com a legalidade e a transparência.
O que falta esclarecer
A origem do dinheiro jogado pela janela – A defesa de Goianyr alega que ele guardava dinheiro em casa e que a legislação só obriga a declaração de valores acima de R$ 30 mil. No entanto, a PF investiga se o montante era parte de pagamentos ilícitos no esquema de vazamento de informações.
A profundidade do vazamento no STJ – As mensagens obtidas no celular do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, afastado do cargo na operação Máximus, sugerem que o esquema pode envolver servidores do STJ. A PF busca identificar outros beneficiados pelo acesso ilegal a inquéritos sigilosos.
A participação de outros políticos e magistrados – Os diálogos transcritos na decisão judicial apontam que Thiago teria avisado o governador sobre novos inquéritos no STJ. Ainda não está claro se outras autoridades do Tocantins tiveram acesso às informações vazadas.
Se houve tentativa de interferência nas investigações – Além do vazamento de informações, a PF apura se houve obstrução de Justiça para proteger investigados em operações no estado.
A eventual participação de servidores públicos – O STF determinou medidas para afastamento de funcionários suspeitos de envolvimento no esquema. A Polícia Federal ainda não revelou se há indícios da participação de servidores do STJ no vazamento.
A operação continua em andamento e novas fases podem ser deflagradas. A expectativa agora está na conclusão da análise das provas apreendidas e nos próximos depoimentos.
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