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Número de matrículas de estudantes com autismo cresce mais de 44% em um ano; Tocantins acompanha tendência nacional de inclusão
O número de estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) matriculados na educação básica brasileira registrou um aumento expressivo de 44,4% entre 2023 e 2024, conforme dados divulgados pelo Censo Escolar. O total saltou de 636.202 para 918.877 matrículas em apenas um ano. No Tocantins, a tendência também é de crescimento, especialmente na rede pública estadual e em municípios que vêm reforçando ações de inclusão escolar.
A elevação nas matrículas foi destacada durante coletiva realizada no último dia 9 de abril, na sede do Ministério da Educação (MEC), em Brasília. Segundo o ministro Camilo Santana, esse avanço está diretamente relacionado ao fortalecimento da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, um dos pilares da atual gestão federal.
“O Brasil está incluindo, cada vez mais, crianças e jovens na escola regular. Nosso objetivo é que até 2026 nenhuma escola fique sem uma sala de recursos multifuncionais”, afirmou Santana.
Tocantins avança na inclusão de alunos com TEA
Embora o Censo Escolar 2024 ainda não tenha detalhado os dados por estado, dados preliminares do Observatório da Educação Especial do Tocantins apontam que o estado tem acompanhado o ritmo nacional. O número de estudantes autistas matriculados em escolas públicas estaduais e municipais vem crescendo em média 30% ao ano desde 2021. O avanço está ligado tanto ao aumento da procura pelas famílias quanto à melhoria na identificação do transtorno pelas redes de ensino.
Palmas e Araguaína são as cidades que concentram o maior número de matrículas de estudantes com autismo. Na capital, por exemplo, a Secretaria Municipal da Educação implementou novos protocolos de triagem pedagógica e vem expandindo o número de salas de recursos com profissionais especializados.
Crescimento reflete mais visibilidade e diagnóstico
Para o diretor de Estatísticas Educacionais do Inep, Carlos Eduardo Moreno, o salto nas matrículas decorre da maior capacidade das escolas em identificar estudantes com o transtorno. “A educação especial no país é inclusiva, do ponto de vista do atendimento. As escolas estão mais preparadas para reconhecer e acolher”, afirmou.
Além do autismo, a educação especial contempla estudantes com deficiência, altas habilidades ou superdotação. Entre 2023 e 2024, o total geral de matrículas da educação especial no Brasil cresceu 17,2%, saltando de 1,8 milhão para 2,1 milhões de estudantes. Na comparação com 2020, a alta chega a 58,7%.
Ensino médio lidera inclusão
O ensino médio foi a etapa da educação com a maior proporção de estudantes com deficiência incluídos em classes comuns, segundo os dados do Censo Escolar. Considerando estudantes de 4 a 17 anos, o percentual de matrículas em turmas regulares subiu de 93,2% em 2020 para 95,7% em 2024.
Esse avanço tem sido impulsionado também por ações de formação de professores e adaptação de materiais didáticos. No Tocantins, o Centro de Formação dos Profissionais da Educação Básica (Cenfor) tem oferecido cursos regulares em educação inclusiva, com foco especial no atendimento de alunos com TEA.
Por que os dados do Censo são importantes?
Realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Censo Escolar é a principal base estatística da educação básica brasileira. Os dados coletados são usados para orientar o repasse de recursos federais, subsidiar avaliações e permitir que estados e municípios planejem políticas públicas com mais precisão.
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