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Excesso de peso e omissão em reparos provocaram queda da ponte JK entre TO e MA, conclui laudo da PF

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Sete meses após o desabamento da ponte Juscelino Kubitschek, que ligava Aguiarnópolis (TO) a Estreito (MA), a Polícia Federal concluiu a perícia e apontou o excesso de carga como principal causa do colapso estrutural que matou 14 pessoas. Três vítimas seguem desaparecidas.

Segundo o laudo, obtido com exclusividade pelo Fantástico, a queda foi provocada pela deformação do vão central da ponte, uma estrutura da década de 1960 construída sobre o profundo leito do rio Tocantins. Devido à impossibilidade de instalação de pilares nesse trecho, o vão livre de 140 metros foi sustentado por concreto protendido — técnica inovadora para a época.

No entanto, ao longo das décadas, a estrutura não foi modernizada para acompanhar o aumento da frota de veículos e da carga transportada. O laudo aponta também que a última grande reforma, feita entre 1998 e 2000, pode ter comprometido ainda mais a integridade da ponte. À época, houve reforço lateral e aplicação de nova camada de asfalto, o que alterou o peso e a estrutura original da obra.

Uma perícia minuciosa com uso de drones, scanners a laser e modelagem 3D apontou que o colapso ocorreu em cerca de 15 segundos. O vão central desabou em menos de um segundo.

Em 2020, um relatório técnico encomendado pelo DNIT já classificava a estrutura como “sofrível e precária”, alertando para vibrações excessivas e rebaixamento de 70 centímetros. Mesmo assim, a travessia continuou liberada. Uma tentativa de licitação para reforma foi feita em 2024, mas fracassou.

Para o delegado Allan Reis de Almeida, houve omissão por parte de agentes públicos. “Esse desastre foi anunciado. Era de conhecimento e plausível que acontecesse”, declarou. A PF pretende ouvir os responsáveis pela manutenção da ponte nos próximos dias. O DNIT informou que a comissão técnica que apurou os fatos já finalizou os trabalhos e encaminhou os documentos à corregedoria. O então superintendente do órgão no Tocantins, Renan Bezerra, foi exonerado em abril.

Entre os mortos estão Salmon, Alessandra e Felipe, de apenas 10 anos, que viajavam de Palmas para o Maranhão. Apenas o corpo da mulher foi localizado até agora. “É muito sofrimento para nossa família”, lamentou Maristelia Alves, parente das vítimas.

Após o desabamento, a ponte foi implodida em fevereiro. No mesmo local, uma nova estrutura está sendo erguida. A obra, orçada em R$ 171 milhões, terá 630 metros de extensão — 100 a mais que a anterior — com um vão central de 154 metros sustentado por pilares. A entrega está prevista para dezembro.

Enquanto isso, a travessia entre os estados segue sendo feita por balsas, com espera de até 10 horas. “Cheguei aqui meio-dia e só consegui passar às 10 da noite”, relatou um caminhoneiro.

Para o diretor técnico-científico da Polícia Federal, Roberto Monteiro Neto, o caso serve de alerta: “Se tivéssemos manutenção adequada e reavaliações periódicas da carga suportada, talvez isso pudesse ter sido evitado.”

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