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Coluna: Opinião com Fundamento O Poder do Associativismo: quando empreender é também um ato coletivo

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Por Roger Sousa Kühn

Advogado, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais e candidato à presidência da ACIARA – Associação Comercial e Industrial de Araguaína

 

Em tempos de competição acirrada e transformações econômicas velozes, é fácil acreditar que o empreendedorismo é uma jornada solitária. Mas essa visão ignora um dos pilares mais antigos e poderosos do desenvolvimento econômico: o associativismo.

Desde o surgimento das primeiras guildas medievais até as modernas federações empresariais, o associativismo é o que mantém viva a cooperação entre quem empreende — e quem acredita que o crescimento individual só é sustentável quando compartilhado.

O movimento associativo empresarial é, em essência, uma rede de solidariedade econômica, um espaço de inteligência coletiva que conecta, protege e impulsiona. Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, já ensinava que “a melhor forma de prever o futuro é criá-lo”. E é exatamente isso que fazem as associações comerciais Brasil afora: criam futuros possíveis — para empresários, cidades e comunidades inteiras — por meio da união e da representação.

 

Associações comerciais: o coração pulsante das economias locais
Quando observamos as cidades que mais prosperam, é quase inevitável encontrar por trás delas uma associação comercial forte, atuante e respeitada. Essas entidades são mais do que defensoras de classes — são escolas de cidadania econômica, fóruns de ideias, plataformas de negócios e pontes entre o setor produtivo e o poder público.

Como bem disse Alexis de Tocqueville, em A Democracia na América, “a arte de se associar é a mãe de todas as outras artes”. Ele percebia que as sociedades que aprendem a se organizar coletivamente são as mesmas que alcançam maturidade política e prosperidade econômica.

No Brasil, as associações comerciais têm sido decisivas na construção de ambientes de negócios mais éticos, competitivos e inovadores. De norte a sul, entidades têm criado centros de mediação empresarial, programas de qualificação, feiras setoriais, observatórios tributários, campanhas de valorização do comércio local e redes de apoio ao crédito.

Elas transformam a teoria em prática e o discurso em resultado.

 

O desafio de inovar preservando a tradição
Em 2025, a ACIARA – Associação Comercial e Industrial de Araguaína completa 50 anos de fundação, consolidada como a maior associação empresarial do Tocantins, com mais de 550 associados ativos. Uma trajetória marcada por liderança, credibilidade e compromisso com o desenvolvimento regional.

Recentemente, coloquei meu nome à disposição para presidir essa instituição no próximo biênio. Faço isso com o compromisso de honrar uma história de respeito, mas também com a convicção de que é tempo de inovar — de atualizar o associativismo para o século XXI.

Nosso propósito é fortalecer o movimento associativo, gerar negócios reais para os associados, ampliar oportunidades e focar nas dores concretas de quem empreende.

Projetos como a criação de feiras setoriais, o Observatório da Reforma Tributária, e o programa “Voa Norte – Use o Aeroporto de Araguaína” nascem dessa visão: aproximar empresários, integrar setores e transformar a associação em um ecossistema de soluções.

 

Associar-se é resistir — e evoluir juntos
O associativismo é, antes de tudo, uma resposta civilizada ao isolamento.

Num mundo em que o algoritmo tenta nos individualizar, o ato de se associar é quase um gesto político: o de acreditar que crescer junto é melhor do que crescer sozinho.

Como diria John Stuart Mill, filósofo e economista britânico, “o progresso de uma sociedade depende da iniciativa de seus membros em cooperar livremente para o bem comum”. É esse espírito que move cada diretoria, cada projeto e cada associado comprometido com a ACIARA e com o Tocantins.

A força de uma associação não está apenas no número de seus associados, mas na capacidade de gerar pertencimento e propósito.

Porque quando empresários, profissionais e empreendedores se unem em torno de causas comuns, não formam apenas uma classe — formam uma comunidade de impacto.

E o impacto do associativismo é, sem dúvida, o que mantém o motor da sociedade girando — com ética, união e futuro.

 

Roger Sousa Kühn

Advogado, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, especialista em Direito Empresarial, Constitucional e do Agronegócio. Empresário da área da construção civil e prestação de serviços. Candidato à presidência da ACIARA para o biênio 2026–2027

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