Palmas

Coluna “Ela em Foco” O Que Podemos Fazer Agora

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Diante do avanço silencioso do adoecimento emocional, é comum surgir a sensação de impotência. O problema parece grande demais, complexo demais, distante demais das nossas possibilidades individuais. Mas a pergunta que realmente importa não é quem falhou até aqui — e sim o que cada um de nós pode fazer agora.

Esperar apenas por políticas públicas ou grandes mudanças estruturais é insuficiente. Elas são necessárias, sem dúvida, mas não substituem a responsabilidade individual e cotidiana. A saúde emocional começa nos pequenos gestos, nas relações próximas e, principalmente, na forma como lidamos conosco.

O primeiro passo é simples e, ao mesmo tempo, desafiador: olhar para dentro. Vivemos ocupados demais para perceber o que sentimos. Normalizamos o cansaço extremo, a ansiedade constante, a irritação contínua. Não é possível oferecer acolhimento se estamos emocionalmente exaustos. Cuidar de si não é egoísmo, é condição para cuidar do outro.

Também precisamos reaprender a escutar. Escutar sem julgar, sem minimizar, sem oferecer soluções rápidas. Muitas dores não pedem conselhos, pedem presença. Um jovem que se cala, que se isola ou que muda bruscamente de comportamento não está sendo “difícil”; pode estar pedindo ajuda da única forma que consegue.

Outra atitude urgente é romper com o silêncio. Falar sobre saúde emocional salva vidas. Quanto mais naturalizamos o diálogo, menos espaço damos à culpa, ao medo e à vergonha. Dor compartilhada não desaparece, mas se torna mais suportável.

No ambiente familiar, é fundamental substituir controle excessivo por vínculo, autoridade por proximidade, cobrança por escuta. Na escola, o aprendizado emocional precisa caminhar ao lado do conteúdo acadêmico. Não basta formar alunos eficientes; é preciso formar pessoas emocionalmente saudáveis.

No campo social, pequenas atitudes fazem diferença: acolher, orientar, indicar ajuda profissional, não banalizar sinais de sofrimento. Procurar um psicólogo ou psiquiatra não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo e com a própria vida.

Não existe solução única, rápida ou mágica. O que existe é um caminho possível, construído todos os dias, por pessoas comuns que decidem não se omitir. O cuidado emocional é coletivo, mas começa no indivíduo.

O que podemos fazer agora é escolher estar presentes. Escolher cuidar. Escolher não fingir que não vemos. Porque toda mudança social começa quando alguém decide agir, mesmo sem ter todas as respostas.

 

Nilmar Ruiz

Professora, foi Secretária da Educação, Prefeita de Palmas e Deputada Federal.

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