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Mais de 4 mil mulheres sofreram violência no Tocantins em 2025; ameaças e agressões físicas lideram os casos
O Tocantins registrou mais de 4 mil ocorrências de violência contra a mulher entre janeiro e agosto de 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Embora os números representem uma redução em relação a 2024, a violência doméstica continua sendo um problema grave no estado.
Entre os casos registrados este ano, 2.575 foram por ameaça e 1.453 por lesão corporal. O estado também contabilizou cinco feminicídios e 16 tentativas.
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), o Tocantins também registrou 1.131 casos de violações contra mulheres apenas em 2025, incluindo maus-tratos, exploração sexual e tráfico de pessoas. No entanto, apenas 172 denúncias foram formalizadas junto à Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, o que reforça a persistência da subnotificação. Em comparação, em 2024 foram 2.911 violações e 439 denúncias, o que pode indicar uma diminuição dos casos formais e, ao mesmo tempo, um aumento no silêncio das vítimas diante das agressões.
A Operação Shamar 2025, realizada por forças de segurança no estado, resultou em 121 prisões e mais de 400 mulheres vítimas de violência atendidas.
No cenário nacional, a maior Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, conduzida pelo Instituto DataSenado, aponta que 88% das mulheres brasileiras já sofreram violência psicológica. O levantamento, feito com mais de 21 mil entrevistadas, mostra que 71% dos casos de agressão são testemunhados por terceiros — frequentemente os próprios filhos. Ainda mais alarmante: 40% dos adultos que presenciam as agressões não fazem nada para intervir.
A pesquisa também revelou que a violência psicológica superou a física como a forma mais comum de agressão relatada pelas vítimas. A maioria das mulheres busca ajuda na família antes de procurar uma delegacia, o que só ocorre quando a situação se torna insustentável.
Em 2025, as denúncias feitas ao Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, cresceram 33%. Em duas décadas de funcionamento, o serviço já realizou mais de 16 milhões de atendimentos. Desde julho de 2024, a central adotou tecnologia blockchain para proteger os dados das vítimas e garantir a segurança das informações.
A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, destaca a importância do acolhimento sem julgamentos: “Quando uma mulher decide denunciar, ela está dando um passo enorme para sair da violência. Do outro lado, precisamos estar preparadas para ouvir, orientar e apoiar”.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência contra a mulher é uma das crises de direitos humanos mais negligenciadas do planeta. No Brasil, uma em cada três mulheres já sofreu violência sexual por parte de um parceiro íntimo.
O Ligue 180 funciona todos os dias, 24 horas, de forma gratuita. Já em situações emergenciais, a recomendação é ligar para o 190, da Polícia Militar.
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