Palmas
O lado humano da operação do transporte coletivo em Palmas: rotina, desafios e dedicação
Pé na embreagem, muda marcha, acelera, freia, para, abre porta, fecha porta, trânsito, horário de pico, atenção! Há quem pense que isso é uma tarefa fácil, mas ser motorista do transporte coletivo vai muito além. Estes profissionais são essenciais para a mobilidade urbana da cidade. “Não é uma coisa fácil, temos que ter sabedoria, discernimento para fazer isso, não é para qualquer um.” As palavras são da Daiane Batista Pereira, 30 anos, que há 8 anos trabalha como motorista do transporte coletivo. Para o Elismar Alves de Oliveira, 45 anos, conhecido como Acerola, e que está no transporte coletivo da Capital há 17 anos, para enfrentar a maratona diária de escalas, linhas e passageiros é preciso “estar preparado mentalmente, para o desafio do dia a dia. Cada dia é um desafio.”
Os dois fazem parte dos cerca de 260 profissionais, dentre eles, nove mulheres, que operam o sistema na Capital, e que celebram nesta sexta-feira, 25, o dia do motorista. Eles estão à frente da frota composta por 154 ônibus, sendo 14 na reserva. Ao todo são 61 linhas, que atendem a Capital e os distritos de Taquaruçu e Buritirana. A frota conta com veículos novos, com acessibilidade, Wi-FI e carregador de celular. Por dia, são cerca de 60 mil validações nos leitores dos ônibus.
Para garantir qualidade no atendimento à população e motivação aos profissionais do transporte coletivo de Palmas, todos os contratados pela Santa Cecília Turismo Ltda (Sancetur), empresa responsável pelo sistema de transporte público de Palmas, passam por treinamento, reciclagem, capacitações que envolvem conteúdo como reconhecer a legislação de trânsito e o Código de Trânsito Brasileiro, conhecer os conceitos de direção defensiva e de acidente de trânsito, noções de primeiros socorros e conceitos básicos de relacionamento interpessoal.
“Em função do compromisso da gestão com a qualidade do transporte coletivo, existe a preocupação com o lado humano da operação porque para garantir a segurança e o bem-estar dos usuários é preciso de profissionais bem treinados, comprometidos e dedicados”, pontua o presidente da Agência de Transporte Coletivo de Palmas (ATCP), Walace Pimentel.
Desafios da profissão
Diante dos desafios do trânsito, Elismar reforça que é preciso se preparar para fazer um bom trabalho. “Você tem que se antever os problemas para você fazer um bom trabalho e garantir a segurança, o conforto dos clientes, porque é para isso nós estamos aqui, para que a gente dá o nosso melhor, para que os outros venham a se satisfazer com o transporte”.
Outro desafio é sobre lidar com a diversidade dos usuários do transporte coletivo. “Todos os tipos de pessoas que entram no ônibus é um aprendizado diferente. As pessoas têm o que agregar para nós e isso ajuda a desenvolver o meu conhecimento”, disse Daiane. “Você está transportando o que há de mais valioso nessa terra, que são pessoas, são vidas, então a gente tem que ter consciência daquilo que a gente está fazendo”, ressalta Elismar.
“Eu não vejo só como pessoas, eu vejo como família, porque ali todo mundo é pai de família, mãe de família, é filho. Então eu me preparo todos os dias, peço sabedoria, peço proteção, principalmente a Deus, para isso, para que nada aconteça porque a gente que está de frente, está no trânsito, estamos expostos a tudo”, diz Daiane. Esse cuidado é reconhecido por usuários como Ana Francisca Dias da Silva, que utiliza duas linhas todos os dias e é categórica ao dizer que não tem o que reclamar sobre os motoristas. “São educados, inclusive, o motorista da linha do meu bairro quando vê que estou chegando no ponto, me espera pra eu embarcar tranquilamente.”
Texto: Elisangela Farias
Edição: Juliana Matos
Elismar diz que dá o seu melhor para que os outros venham a se satisfazer com o transporte coletivo de Palmas – Foto: Lia Mara
Motoristas do transporte coletivo durante treinamento no Sest/Senat – Foto: Divulgação
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