Palmas
Coluna Poder Local: IEGM — o espelho da gestão e guia para a boa governança nos municípios tocantinenses
Em tempos de escassez de recursos e alta pressão por resultados, a
qualidade da gestão pública municipal tornou-se um dos temas centrais do
debate sobre desenvolvimento local. Nesse contexto, o Índice de Efetividade
da Gestão Municipal (IEGM), desenvolvido pelos Tribunais de Contas do
Brasil — e aplicado no Tocantins pelo Tribunal de Contas do Estado do
Tocantins (TCE-TO) — surge como uma ferramenta decisiva para medir o
quanto as prefeituras estão transformando recursos públicos em políticas
efetivas e sustentáveis.
Mais do que um instrumento de controle, o IEGM é um termômetro da
governança pública municipal. Ele avalia a efetividade das ações nas áreas
de educação, saúde, planejamento, gestão fiscal, meio ambiente, cidades
protegidas e governança de tecnologia da informação (TCE-TO, 2024).
Essas sete dimensões revelam o grau de maturidade administrativa e a
capacidade de entrega de resultados da prefeitura, oferecendo uma visão
ampla da qualidade da gestão.
O TCE-TO vem ampliando o uso do IEGM como instrumento de
diagnóstico e recomendação de políticas públicas. Relatórios recentes apontam
que grande parte dos municípios tocantinenses ainda opera abaixo do nível de
adequação desejado, especialmente nas dimensões de planejamento e
tecnologia da informação, o que demonstra a fragilidade dos processos
internos e a falta de integração entre as secretarias.
Segundo dados do Relatório Consolidado IEGM Brasil 2023, disponíveis no portal
iegm.irbcontas.org.br, o Tocantins registrou média de 0,27, enquadrando-se na
faixa “C” (baixo nível de adequação), o que reflete uma necessidade urgente
de avanço em maturidade administrativa.
Essas lacunas não são apenas técnicas — elas comprometem a
capacidade do município de executar políticas públicas de forma coordenada,
transparente e sustentável. Um baixo desempenho no IEGM costuma refletir
deficiências estruturais, como ausência de indicadores de desempenho, planos
de metas genéricos, sistemas de informação desatualizados e pouca
articulação entre o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). Para o gestor municipal,
compreender e monitorar o IEGM é, portanto, uma forma de gestão
inteligente, pois ele oferece uma radiografia do funcionamento do governo
local, apontando onde é possível melhorar e onde os recursos estão sendo
aplicados com menor impacto.
A boa governança pública, como preconiza o próprio TCE-TO, envolve
planejamento, transparência, controle e participação social. O IEGM
permite que esses princípios sejam traduzidos em indicadores mensuráveis. Na
dimensão Planejamento, por exemplo, o índice avalia se o município monitora
o cumprimento das metas do PPA. Em Gestão Fiscal, verifica a
responsabilidade no uso dos recursos, o cumprimento de limites legais e a
capacidade de investimento. Já em Governança de Tecnologia da
Informação, examina a existência de sistemas integrados e políticas de
segurança da informação. Nas dimensões Educação e Saúde, o índice
observa a relação entre gasto público e resultado social. Dessa forma, o IEGM
pode funcionar como uma verdadeira bússola de governança, orientando
prefeitos, secretários e controladores sobre onde concentrar esforços e como
priorizar ações corretivas (TCE-TO, 2024).
A principal virtude do IEGM é permitir que os municípios se antecipem à
fiscalização. Ao internalizar a lógica do índice na rotina de gestão, a prefeitura
transforma um instrumento de controle externo em ferramenta de gestão
interna. Com isso, o gestor deixa de agir apenas reativamente — respondendo
a apontamentos — e passa a atuar proativamente, aprimorando políticas,
reduzindo riscos e fortalecendo a transparência. O TCE-TO, ao utilizar o IEGM
como base de diagnóstico, tem deixado claro que seu papel não é apenas
punir, mas induzir boas práticas. Municípios que melhoram seu desempenho
no índice geralmente elevam a qualidade do gasto público, fortalecem a
credibilidade junto a órgãos de controle e aumentam sua capacidade de captar
recursos externos.
Para que o IEGM se torne um aliado efetivo da boa governança, os
municípios tocantinenses precisam se preparar desde já para o próximo ciclo
de avaliação. Isso inclui organizar equipes técnicas para responder ao
questionário do IEGM assim que for disponibilizado; mapear as informações
relativas às sete dimensões do índice; atualizar dados, relatórios e indicadores;
e integrar as metas do PPA, LDO e LOA de forma objetiva e mensurável.
Investir em sistemas de informação e controle interno, publicar evidências e
relatórios de desempenho e capacitar servidores para compreender os critérios
do índice são passos essenciais para transformar o IEGM em uma ferramenta
de melhoria contínua, e não apenas em uma obrigação burocrática.
O IEGM é, antes de tudo, um instrumento de aprendizado
institucional. Ele ajuda os municípios a compreender suas próprias limitações,
a corrigir rotas e a consolidar uma cultura de gestão baseada em evidências.
Para o Tocantins, onde o desenvolvimento regional depende diretamente da
eficiência dos governos locais, o fortalecimento do IEGM pode significar um
salto de qualidade na administração pública — substituindo o improviso pela
estratégia e o formalismo pela efetividade. Mais do que um índice, o IEGM é
um espelho que reflete o futuro da boa governança municipal.
Carlos Assis – Ex-secretário de Finanças de Palmas | Mestre em Desenvolvimento Regional (UFT) | Especialista em Políticas Públicas para MPEs (Unicamp) | Contador e empresário
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