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Cinco novos sítios arqueológicos são descobertos no Tocantins e revelam pinturas de até dois mil anos

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Cinco novos sítios arqueológicos foram identificados na Área de Proteção Ambiental (APA) Serra do Lajeado, no Tocantins, por uma equipe do Núcleo Tocantinense de Arqueologia (Nuta), ligado à Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). Os locais, que podem ter até dois mil anos, trazem registros em arte rupestre e materiais cerâmicos que revelam a presença humana em diferentes épocas e contextos históricos, reforçando a importância do território como um vasto campo ainda pouco explorado da arqueologia brasileira.

A equipe responsável pelas descobertas é composta pelos pesquisadores Genilson Nolasco, José Carlos de Oliveira Pinto Junior e Elieson Silva Santos. As pesquisas foram realizadas entre 2023 e 2024. As imagens dos sítios já estão em exposição nas cidades de Lajeado e Tocantínia, com objetivo educativo e de sensibilização quanto à preservação desses espaços.

Embora a localização exata dos sítios não tenha sido divulgada por motivos de segurança e preservação, os achados já estão em processo de documentação e cadastro no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o que permitirá maior proteção legal contra danos e ocupações indevidas.

O que foi encontrado nos sítios arqueológicos?
Segundo o professor Genilson Nolasco, as descobertas incluem pinturas rupestres em tons de vermelho e amarelo, representações zoomorfas (de animais) e antropomorfas (humanas), além de fragmentos de cerâmica, ferramentas líticas e restos de fogueiras. Os vestígios estavam distribuídos em paredões, abrigos sob rochas e superfícies expostas.

“Esses registros indicam ocupação humana significativa, que precisa ser compreendida em sua totalidade. A análise do solo e dos artefatos é tão essencial quanto o estudo das pinturas para se obter uma visão mais completa do contexto arqueológico”, afirmou o professor.

Qual é o risco para os sítios e o que está sendo feito?
Apesar do valor histórico, os sítios enfrentam riscos reais de degradação. Um dos locais, por exemplo, está situado em área de pastagem e sofre impacto constante de animais, veículos e da atividade rural. O professor Genilson reforça que o cadastro no Iphan é essencial, pois insere os sítios no Programa Nacional de Proteção e Conservação do Patrimônio Arqueológico.

Além disso, embora ainda não haja estrutura para turismo de visitação, ações educativas estão sendo promovidas, como a exposição Ecos da Serra: a arte rupestre na APA Serra do Lajeado, que seguirá até 2 de abril em Lajeado e Tocantínia, e depois será exibida em Palmas e Aparecida do Rio Negro.

Qual a importância do Nuta na arqueologia tocantinense?
O Núcleo de Arqueologia atua no Tocantins há 25 anos e já ajudou a cadastrar mais de dois mil sítios arqueológicos no estado. Muitos desses registros têm datações que remontam a cerca de 12 mil anos. O trabalho da equipe vai além da pesquisa: envolve educação patrimonial, catalogação de materiais e articulação com comunidades e órgãos públicos para a proteção do patrimônio cultural.

O professor Genilson conclui: “A devolutiva desses achados às comunidades é fundamental. É um chamado para que pensemos juntos em estratégias de conservação, envolvendo moradores, instituições municipais, estaduais e federais.”

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